Engravida (de quadrigémeos) para que o pai terminal possa conhecer os netos

Uma história de amor e coragem. Como lidar, ao mesmo tempo, com a vida e a morte?

Aquela que seria a fase mais feliz da sua vida transformou-se num período agridoce, marcado por um misto desconcertante de esperança e medo. A administradora Luciane Carvalho, de 37 anos, decidiu aventurar-se, sozinha, na experiência da maternidade, mas teve de conjugá-la com os últimos instantes de vida do seu pai.

Já imaginou o turbilhão emocional de gerir a felicidade da vida e o desgosto da morte? Em declarações à Crescer, Luciane detalhou a sua experiência, sublinhando que sempre sonhou ser mãe. “Queria esperar pelo momento certo. Sempre tive a intenção de construir uma família, ter um parceiro, um marido… Sonhava com isso. E fui tentando alguns relacionamentos que não vingaram, por vários motivos”, realçou.

No entanto, quando o pai foi diagnosticado com mielodisplasia (uma disfunção na produção das células sanguíneas), decidiu avançar. O desejo de incluir o progenitor na sua gestação falou mais alto e a administrativa partiu para a inseminação artificial (com esperma comprado num banco destinado ao efeito).

A gravidez vingou. E a primeira grande surpresa não tardaria a chegar: na primeira ecografia, o médico confirmou-lhe que o bebé estava ótimo… mas que tinha companhia, mais dois manos. “Comecei a chorar na hora. Lembro que meu irmão me consolou e me perguntou porque estava triste se tinha realizado o meu sonho de ter filhos”, recordou. Cerca de 15 dias depois, nova atualização: não eram três bebés, mas quatro.